sábado, 3 de janeiro de 2009

Uma estória de Jesus

Félix Maier

7/7/2000

Essa é uma estória que não irá definitivamente agradar às feministas sem soutien, ou melhor, sem senso de humor.

Em sua peregrinação pela Terra Santa, levando os ensinamentos da caridade, do perdão e do amor ao próximo, pregando por parábolas, realizando curas, botando satanás para correr nos porcos em disparada, ia Jesus no lombo de seu burrinho. Ao descer uma encosta junto ao Rio Jordão, o burrinho acabou ficando preso em um lamaçal. Por mais que Jesus puxasse o jumento pelo cabresto, mais o bicho se atolava.

Perto do local havia um grupo de mulheres, cantarolando e rindo bastante, lavando suas roupas no Rio Jordão. Jesus se aproximou das mulheres para pedir ajuda para puxar o burrinho para fora do lodo, mas só ouviu impropérios: "Vai embora, vagabundo, vai procurar o que fazer". Rindo muito, as mulheres continuaram a bater a roupa nas lajes do rio, não se importando com a dificuldade do Mestre.

Dirigiu-se então Jesus para uma taberna nas imediações, onde alguns pinguços tratavam de matar o tempo entornando canecas de vinho goela abaixo. Pediu aos bêbados que O ajudassem a puxar o burrinho para fora da lama. Prontamente, todos se prontificaram em ajudar o Mestre. Cambaleando, tropeçando nas próprias pernas, os homens, depois de alguma dificuldade, conseguiram puxar o jerico para fora da margem lamacenta do Rio Jordão. Jesus agradeceu aos pinguços a pronta ajuda, porém censurou as mulheres que deram as costas a Ele.

Essa a razão pela qual, até hoje, por mais pobres e sem dinheiro que estejam os cachaceiros, estes sempre encontram um jeito de conseguir a bebida de seu vício. As mulheres, porém, por mais que se dediquem a limpar suas casas, a dar um capricho especial em cada detalhe, todo santo dia a casa aparece desarrumada e suja, há roupa para lavar, comida para fazer, começando a rotina do mesmíssimo serviço de cada dia, como uma maldição sem fim.

(O texto foi baseado no que me contou uma vez meu amigo Eli Meireles Machado, in memoriam, que sempre foi uma pessoa muito bem-humorada e exemplar pai de família.)