terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ulysses, de James Joyce: Volta ao dia em 80 mundos

Félix Maier

13/02/2007

No texto Um guia para ter cultura, Paulo Francis recomenda aos jovens a leitura de livros que ele considera indispensáveis. São obras de autores que vão dos clássicos gregos, passam pelo romano Suetônio (Os Doze Césares) e por Santo Agostinho (As Confissões), chegando aos modernos como Shakespeare (Hamlet), Popper (A Lógica da Pesquisa Científica), Bertrand Russell (História da Filosofia Ocidental), Tolstoi (Guerra e Paz), Dostoievsky (Crime e Castigo), Thomas Mann (A Montanha Mágica), Edmund Wilson (Rumo à Estação Finlândia). Dos autores brasileiros, Paulo Francis sugere a leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Memórias Póstumas de Braz Cubas, de Machado de Assis. Paulo Francis também recomenda a leitura de Memorial do Aires, de Machado, que, para ele, “é o livro mais bem escrito em português que há”. Porém, Paulo Francis afirma que “não é preciso ler A Origem das Espécies, de Darwin” e diz textualmente que a leitura da obra-prima de James Joyce, Ulysses, é simplesmente “desnecessária”. Será?

James Joyce nasceu em Dublin, Irlanda, em 2 de fevereiro de 1882 e morreu em Zurique em 13 de janeiro de 1941. Fez estudos de humanidades com os jesuítas no Belvedere College, em Dublin, onde tomou gosto pela literatura através do teatro de Yeats, Ibsen e Hauptmann. “Ali recebeu prêmios pelos ensaios que escreveu, um dos quais se intitulava ‘Meu Herói Favorito’. É bastante significativo que, aos quinze anos, seu herói favorito fosse Ulysses, o homem errante levado de cá para lá pelas tormentas” (Os forjadores do mundo moderno, pg. 1086). Do pai herdou o espírito belicoso e a bela voz de tenor.

Para Joyce, os irlandeses eram “a raça mais atrasada de toda a Europa”. “Na juventude opôs-se ao estreito nacionalismo do Renascimento Irlandês, ridicularizou o Amanhecer Celta chamando-o ‘twilight twalette’ e se tornou inimigo da principal figura daquele movimento, William Butler Yeats, dizendo-lhe: ‘Encontramo-nos demasiado tarde; você é demasiado velho para que eu possa influenciá-lo’ ” (pg. 1085).

Dos 16 aos 20 anos, Joyce freqüentou o Colégio da Universidade. Devoto, acreditavam que fosse ingressar na ordem jesuítica. Antes de completar 20 anos, lia latim, francês e italiano tão bem quanto o inglês.

Transferiu-se para Paris em 1902 para estudar medicina, carreira da qual desistiu para dedicar-se ao ensino da língua inglesa e literatura. “Durante muito tempo seu único alimento era o chocolate – em Ulysses as xícaras de chocolate além de ser um elemento nutritivo, são um símbolo de sacramento – e ficou doente” (pg. 1087).

Em 1903 volta a Dublin, com a morte da mãe, ali passando o dia 16 de junho de 1904, tão minuciosamente imortalizado nos dezoito episódios do futuro romance Ulysses. Aos 22 anos conseguiu uma vaga de professor na Escola Clifton, em Dalkey, onde ampliou seus estudos de línguas estrangeiras. Participou do concurso de tenores do Festival Nacional, entusiasmando o auditório e os juízes, mas desistiu por não aceitar um dos requisitos: uma prova de canto sem ler a partitura antes. Em outubro de 1904, Joyce se casa com Nora Barnacle e partiram imediatamente para Zurique, Suíça, onde arranjou emprego como professor de línguas na Escola Berlitz.

“Durante os vinte e cinco anos seguintes, a vida de Joyce é uma vida de exílio e sofrimento, de esforços constantes para publicar suas obras, de brigar contra as hostilidades dos filisteus, de desilusões e desespero” (pg. 1088).

Aos 23 anos terminou uma série de contos, Os Dublinenses, aceitos para publicação, mas o editor negou-se a publicá-los pelo “naturalismo” da obra. Essa obra só seria publicada dez anos depois em Londres, em 1914.

A primeira obra publicada de Joyce, em 1907, foi Música de Câmara, um título para rir de si mesmo, cantor frustrado. “Foi posto à venda quando Joyce tinha vinte e cinco anos e é a própria antítese do estilo que viria a caracterizá-lo. Longe de ser inovadora, esta obra está cheia de ecos tradicionais de poetas do século XVII, dos simbolistas franceses e da lírica de William Butler Yeats” (pg. 1088).

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