quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Tocqueville 200 anos

Félix Maier

14/05/2007

"Eu confesso que na América eu vi mais do que a América; eu vi a imagem da democracia mesmo, com suas inclinações, seu caráter, seus preceitos e suas paixões, o suficiente para aprender o que devemos temer ou o que devemos esperar do seu progresso” (Alexis de Tocqueville, 1834).

“A vantagem real da democracia não é, como já se disse, favorecer a prosperidade de todos, mas apenas servir ao bem-estar do maior número” (Alexis de Tocqueville, in A Democracia na América).

Em meados do desastroso Annus Lulae 3 (Annus Domini 2005), quando pipocavam denúncias e mais denúncias da corrupção petista, o senador Eduardo Suplicy deu de presente a Lula o livro mais famoso de Alexis de Tocqueville, A Democracia na América. Provavelmente, era uma indireta de Suplicy ao presidente, para que não se candidatasse à reeleição, sistema eleitoral condenado por Tocqueville no citado livro, pois o governante – segundo o liberal francês -, desde o primeiro dia da posse, não pensaria em outra coisa senão na reeleição, utilizando toda a máquina administrativa federal para tal intento. Não creio que Lula tenha lido o livro, um calhamaço de quase 600 páginas (*), pois o próprio presidente já declarou que recebe muitos livros de presente e apenas folheia algumas páginas. Talvez o livro Sobre o Ócio, de Sêneca, fosse mais recomendável para Lula, especialmente como companhia para suas ociosas viagens turísticas a bordo do Air Force 51, o Aerolula...

Em 29 de julho de 2005, deveria ter sido comemorado o 200º aniversário do politólogo e sociólogo francês Alexis Charles Henri Maurice Clérel de Tocqueville (1805-1859). Nome longo, de um verdadeiro príncipe, que na verdade é, ao menos em Sociologia, Tocqueville foi um dos mais ilustres liberais clássicos que o mundo já conheceu, ao lado de Adam Smith, Friedrich von Hayek, Michael Novak, Ludwig von Mises, Raimond Aron, Jean-François Revel, Milton Friedman, além dos brasileiros Antônio Paim, Roberto Campos e José Osvaldo de Meira Penna. E por que Tocqueville não mereceu nenhum tipo de comemoração? Da mesma forma que o presidente Emílio Garrastazu Médici, um dos mais ilustres presidentes do Brasil, não mereceu nesse ano nenhuma lembrança pela passagem dos 100 anos de seu nascimento: boicote dos meios de comunicação. A mídia brasileira, dominada por um ranço revanchista de esquerda sem limites, para quem o Muro de Berlim continua mais firme do que as milenares muralhas da Cidadela de Saladino, no Cairo, nomes como Tocqueville são olimpicamente ignorados, como se nunca tivessem existido, e governantes como Médici são satanizados como a pior coisa que já existiu nestes trópicos. O pouco que foi dito sobre Tocqueville no Brasil nos últimos tempos pode ser visto no texto de Luiz Fernando Alves Evangelista, LULA PRESIDENTE: Uma Reflexão Sobre a Democracia no Brasil (http://www.achegas.net/numero/oito/luiz_evangelista_08.htm).

Leia texto completo em Usina de Letras.