segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Por que não invadir a Bolívia?

Félix Maier

31/8/2006

Face aos últimos acontecimentos ocorridos por conta do presidente Evo Cocales, que sitiou com tropas do Exército “nossa Petrobrás”, é preciso que o Exército Brasileiro invada imediatamente o país vizinho. Nossos soldados precisam, urgentemente, de um treino bélico para valer, não esses ridículos tiros de festins que dão nas Unidades, pois desde a II Guerra Mundial não pegam num fuzil para dar tiro real. Afinal, o formato do mapa da Bolívia é de um pernil que pede para ser devorado.

No momento, o problema é Ali Babaca, o presidente brasileiro que não sabe de nada. Se depender de Bába Áli (Papai Ali), não só a Petrobrás será tomada na força pelos bolivianos, porém irá propor que o Acre seja devolvido aos antigos donos. Pior, do jeito que Bába Áli gosta de contemporizar as contendas com os vizinhos, sempre em prejuízo do Brasil, não será surpresa se na próxima reunião do Mercosul ele propuser que as antigas fronteiras brasileiras voltem à linha de Tordesilhas. Bába Áli já deu demonstração de que é uma verdadeira Rainha de Sabá, que gosta de levar camelos, digo, jegues carregados de presentes para países como Angola, Gabão, Cuba, Venezuela e a própria Bolívia, além de perdoar dívidas antigas desses países, sem consultar se o povo brasileiro aprova essa caridade. Para comandar a invasão, perdemos recentemente o Enéas, que faleceu por problemas hemofílicos, o qual havia prometido fabricar a bomba atômica. Assim, fica difícil escolher nosso De Gaulle, nosso MacArthur, nosso Alexandre Magno, pois o atual chefe do Exército no máximo poderá ser comandante da TAM...

Ora, direis, isso é coisa de país imperialista, fica bem para os Estados Unidos, não para o Brasil, que exporta, não rambos e mísseis de cruzeiro, porém sambistas, futebolistas, prostitutas e gays pelo mundo todo, na maior paz lulinha meu amor. Que ignorância a sua, querido leitor! Na América do Sul, o imperialismo se chama Brasil, embora as esquerdas continuem a maldizer Tio Sam. Pergunte aos uruguaios, que até hoje ainda sonham em nos retomar a Ilha Brasileira. Pergunte aos argentinos se eles estão contentes em terem perdido o Oeste de Santa Catarina numa disputa diplomática. Na época, o empresário norte-americano Percival Farquhar, que foi satanizado pela TV Globo em Mad Maria, construiu a toque de caixa a estrada-de-ferro que liga Porto União, SC, a Marcelino Ramos, RS, exatamente porque o Brasil temia que os argentinos fizessem uma incursão nas terras catarinenses; a ferrovia seria para levar tropas e logística ao Sul do Brasil. Pergunte ao general Chefe do Estado-Maior do Suriname se ele está contente de o Brasil ter abocanhado umas fiapas de terra de seu diminuto território. Pergunte aos bolivianos se eles estão contentes em terem perdido o Acre para uma turba de brasileiros que invadiram seu país no auge da corrida da borracha.

A propósito, numa reunião bilateral entre os exércitos do Brasil e da Bolívia, em Brasília, eu vi que o mapa da Bolívia contém o Acre em linhas de hachura, uma dica de que poderá ser retomado no futuro. Urge, pois, o Brasil vestir sua camisa imperialista e, sem vergonha de ser feliz, tomar a Bolívia, uma guerra muito mais honesta e pragmática do que aquela que os EUA iniciaram contra o Iraque, para garantir, não o petróleo, mas uma encrenca apocalíptica com os muçulmanos pelas próximas 5 décadas.

Afinal, se invadirmos a Bolívia estaremos apenas legitimando uma situação que já existe de fato, ou seja, quem toca a economia do país vizinho são os brasileiros. A Petrobrás abocanhada pelos bolivianos, sozinha, entra com 40% do PIB. Com a inclusão de outras empresas brasileiras instaladas na Bolívia, além da produção dos brasileiros que compraram fazendas e granjas naquele país, o PIB ultrapassa os 50%. Ora, 50% + 1 nos fazem donos daquele país, pelo menos economicamente, por mais que os peles-vermelhas mascadores de folhas de coca venham a espernear e a berrar.



Com a invasão da Bolívia, o Brasil teria muitas vantagens imediatas a comemorar. Primeiro, iria reimplantar sua indústria de material bélico, que uma vez chegou a ser a 5ª maior do mundo, criando milhões de empregos. Nossas indústrias construiriam milhares de mísseis Piranha e Barracuda, além de ofídios sobre rodas e lagartas: Cascavel, Urutu, Jararaca... Imaginem o orgulho de nossos oficiais e sargentos, com os GACs transportando os sistemas-lançadores de foguetes ASTROS II (foto)! Nossos soldados poderiam, finalmente, aposentar o velho FAL, obsoleto, dos tempos da Guerra Fria, que até os traficantes do Rio não querem mais, pois devolveram rapidamente aqueles roubados, por engano, de um depósito do Exército... Nossos "recos" empunhariam fuzis mais modernos, a exemplo das armas recentemente entregues por Hugo Chávez ao Exército colombiano. Nada como uma guerra para movimentar a economia. Disso os EUA sabem muito bem: ao final da II Guerra Mundial, os ianques eram responsáveis por mais de 50% da produção econômica mundial, eram os únicos detentores da bomba atômica, um poder jamais visto em qualquer época da História universal. Poderiam ter tomado o mundo todo, a começar por Moscou, como pretendia Hitler. Burros, não souberam aproveitar o momento histórico que nunca mais irá se repetir.

Para a invasão da Bolívia, é fundamental que o Exército seja acompanhado de um povo trabalhador, para acordar os bolivianos da modorra cocalera. Que seja acompanhado de um povo que já mostrou seu valor no Brasil, que constrói cidades e transformou o antigo cerrado num oásis de prosperidade, que cultivou o Paraná, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará, Bahia, que fez do Rio São Francisco um novo Nilo, uma Canaã de riqueza, onde corre o leite e o mel, e onde os agricultores colhem pelo menos duas safras de uvas por ano. Esse povo trabalhador, o bandeirante do século XX e XXI, é o destemido povo gaúcho. Ele já está na Bolívia, assim como no Paraguai e no Uruguai. Convém apenas que o Exército providencie novas levas de gaúchos para a Bolívia, para que aquele país se torne rapidamente um outro Paraná.

Porém, não há necessidade de se erradicar as plantações de coca da Bolívia, por mais que os ianques insistam no projeto e prometam doação farta de dólares. O que é que os peles-vermelhas bolivianos iriam mascar para não sofrer os males das alturas andinas? A produção da coca ficará a cargo do MST e do PCC, para que, com as FARC, criem um novo cartel, a Tríade Bolivariana da Cocaína. Motivo? Para que a grã-finagem carioca e paulista (além da americana e européia) não seja desabastecida do precioso pó branco, para que os atores e atrizes da TV Globo não sintam falta da cheirada diária, para que cantores como Elis Regina não deixem de tomar sua overdose. Afinal, se existe tráfico de drogas é porque alguém compra a droga. Luana Piovani confessou sua queda por uma tragada de maconha. Gilberto Gil afirmou que compôs a música Se eu quiser falar com Deus envolto numa baforada de fumaça da cannabis. Dezenas de personalidades famosas já confessaram sua queda cocalera. Por que, então, contrariar gente tão importante, dificultando que figurinhas carimbadas da revista Caras comprem sua droga preferida? Caro leitor: você sabe por que o pessoal do Rio e de São Paulo gosta de vestir roupa branca nas passeatas “sou da paz”? Ora, o recado do branco-cocaína de suas vestes diz tudo: “parem com as fuzilarias nos morros, com as balas perdidas que matam inocentes, contanto que minha cheirada diária esteja garantida”...

O Conde d’Eu nunca deveria ter saído do Paraguai. Hoje, aquele povo sofrido teria o nível de vida existente em São Paulo e não precisaria se esconder, como clandestino, na capital paulista, onde trabalha como escravo nas oficinas de confecções gerenciadas por chineses, em jornadas superiores a 12 horas diárias, como nos tempos de Oliver Twist. Os pobres coitados também não precisariam “expropriar” carros, tratores e aviões brasileiros, levados ao Paraguai aos milhares. Imagine o que seria da América Latina se os ianques não tivessem parado na divisa do México, porém se tivessem ido mais longe, até as margens do Rio Grande, não aquele que separa o México dos EUA, mas aquele rio que separa Minas de São Paulo. A divisa ficaria muito longe de Nova York, Miami e Los Angeles, e os ianques não precisariam construir muros para impedir levas de sul-americanos entrando em seu país. Hoje, os mineiros de Governador Valadares não precisariam do auxílio dos “coiotes” mexicanos para entrar nos EUA. Já nasceriam lá...

Afinal, a invasão exigida da Bolívia é para benefício do próprio país vizinho, não para a usurpação brasileira. Quem não me deixa mentir é Karl Marx (http://www.olavodecarvalho.org/convidados/ipojuca2.htm), o guru-mor de 9 entre 10 latino-americanos, que escreveu o seguinte:

“Bakunin censura os americanos por fazerem uma guerra de conquista que é um duro golpe na teoria fundada na justiça e na humanidade, mas que é conduzida no interesse da humanidade. É uma infelicidade se a rica Califórnia foi arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer dela? Se os enérgicos yankees, graças a exploração das minas de ouro daquela região, aumentam as vias de comunicação, concentram sobre a costa do Pacífico uma população densa e um comércio em expansão, abrem linhas marítimas, estabelecem uma via férrea de Nova York a São Francisco, abrem pela primeira vez o Pacífico à civilização e pela terceira vez na história dão uma nova orientação ao comércio mundial? A independência de alguns californianos pode sofrer com isso, a justiça e outros princípios morais podem ser feridos – mas isto conta, diante de tais realidades que são o domínio da história universal?”

Por que não invadimos imediatamente a Bolívia, para o bem da História universal?