domingo, 4 de janeiro de 2009

O coronel Ustra dá entrevista ao Mídia Sem Máscara

Félix Maier

7/6/2006

Esta entrevista seria apenas para tratar do lançamento do mais novo livro do coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça. Porém, devido aos últimos acontecimentos, o enfoque realizado foi mais amplo. Na antevéspera da abertura do I Encontro Nacional por um Brasil Verde e Amarelo, realizado em Brasília nos dias 31 de março e 1º de abril de 2006, o coronel Ustra recebeu do Tribunal de Justiça de São Paulo uma intimação para se defender das acusações movidas pela Sra. Maria Amélia Teles, do Movimento Tortura Nunca Mais, de que teria sido torturada perante os filhos em 1972.

Nesta entrevista ao MSM, além de abordar tópicos do novo livro, o coronel Ustra tem a oportunidade de se defender desta recente acusação.

MSM - Coronel Ustra, qual é exatamente a acusação que a Sra. Maria Amélia move contra o Sr.?

Coronel Ustra - Ela, o marido Cesar Teles e os dois filhos (AUTORES) movem contra mim (RÉU) uma “ação meramente declaratória de ocorrência de danos morais” para o fim de “declarar que o RÉU, por agir com dolo e cometer ato ilícito passível de reparação, causou danos morais e danos materiais à integridade física dos AUTORES.
Penso que o objetivo deles é conseguir uma indenização aos dois filhos do casal. Essas indenizações levaram muitos subversivos e terroristas a se declararem torturados. Não são necessárias provas, apenas declarações de companheiros para que a comissão dê ganho de causa aos requerentes. Sendo de esquerda, simpatizante, subversivo ou terrorista, é sempre causa ganha, mesmo que não existam as provas do que alegam.
No caso deles, além dos quatro citados, a irmã, Criméia, também entrou na ação. Uma família unida, cada um confirmando a versão do outro.
Já do outro lado, a situação é bem diferente. Vejam o caso do Orlando Lovecchio: falta-lhe parte de uma perna. Está ali a prova viva da agressão sofrida pela explosão de uma bomba no Consulado Americano, jogada pelos terroristas - inclusive um destes, que vive no exterior, foi indenizado com um milhão de reais. Lovechio, que além da perda da perna, perdeu seus sonhos e a carreira de piloto, até hoje pleiteia uma indenização.

MSM - A petista Bete Mendes levou 15 anos para acusá-lo de "torturador", na época em que o Sr. era Adido Militar no Uruguai. Por que será que só agora a Sra. Maria Amélia faz essa denúncia, 34 anos depois de ela ter sido presa pelo DOI/CODI, em São Paulo?

Coronel Ustra - Por vários motivos: Primeiro, pelo que já expus acima. Segundo, porque eles jamais vão nos perdoar de ter impedido a sonhada tomada do poder, na década de 60 e 70. Além disso, agora é a hora, eles estão no poder, estão dando as cartas. É preciso tirar o máximo de proveito possível.
Maria Amélia e o marido foram presos em um “aparelho de imprensa” do PCdoB, em dezembro de 1972. Na ocasião, estavam com eles os dois filhos do casal, uma menina de 5 anos e um menino de 4. Pais e filhos foram conduzidos para o DOI , já que as crianças não poderiam ficar sozinhas. Quando falei com os pais, senti que estavam preocupados quanto ao destino dos seus filhos. Perguntei se tinham algum parente em São Paulo que pudesse tomar conta deles. Responderam que as crianças tinham tios, creio que em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro, não me recordo exatamente onde. Pedi o telefone desses parentes para avisá-los do que acontecia e perguntar se poderiam vir a São Paulo e apanhar os dois filhos do casal. O contato foi feito, e esses familiares, pediram alguns dias de prazo até poderem se deslocar à capital paulista. Decidi que enquanto aguardávamos a vinda dos tios, as crianças permaneceriam sob o cuidado do Juizado de Menores. Nesse momento tanto Maria Amélia quanto César Augusto, imploraram que seus filhos não fossem para o Juizado. Uma policial militar que assistia o nosso diálogo se ofereceu para ficar com Janaina e Edson Luis, filhos de Maria Amélia e César Augusto, desde que estes concordassem, com o oferecimento, o que aceito na hora pelo casal. Movido mais pelo coração do que pela razão, achei que essa era a melhor solução. As crianças foram levadas para a casa da agente e, para que não sentissem a falta dos pais, diariamente, eram trazidas para ficar algum tempo com eles. Isso se repetiu até a chegada dos parentes. Nesse dia Janaina e Edson Luis foram entregues aos seus tios, na presença de seus pais.
Hoje, acusam-me de ter mantido as crianças presas e de tê-las submetido a torturas psicológicas e outra acusações impublicáveis. Por isso o pedido de indenização.
No meu primeiro livro, sem revanchismo narro o caso, sem citar nomes. No segundo, A verdade Sufocada, não escrevi sobre isso, pois acabara de publicar no Ternuma um artigo sobre o pedido de indenizações dos filhos de presos.

Leia texto completo em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=40826&cat=Artigos&vinda=S

A entrevista foi originalmente publicada no Mídia Sem Máscara, em duas partes - Cfr. em http://www.midiasemmascara.org/?p=5259 e http://www.midiasemmascara.org/?p=5260.