sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O atentado do Riocentro

Félix Maier

2/5/2005

Preâmbulo

Durante o programa do "Fantástico", da TV Globo, levado ao ar no último 1º de maio, houve uma rápida entrevista com o coronel Luís Antônio Ribeiro Prado, designado presidente do Inquérito Policial Militar(IPM) para apurar as explosões no Riocentro ocorridas na noite de 30 de abril para 1º de maio de 1981.

Visivelmente emocionado, o Cel Prado disse ao jornalista que inicialmente julgou que se tratava de um atentado promovido por algum grupo terrorista de esquerda contra os militares de Inteligência que faziam "campana" próximo ao show dos trabalhadores. Porém, à medida que os laudos apresentados foram elucidando o ocorrido, o Cel Prado não teve mais dúvidas de que a explosão dentro do Puma ocorreu devido à falha de manuseio da bomba que se encontrava no colo do sargento Rosário, ocupante do veículo ao lado do capitão Machado.

Pressionado pelas autoridades, que queriam incriminar as esquerdas com um IPM falso, o Cel Prado não se vergou às ameaças feitas e manteve a integridade moral que carregava desde o berço. Foi afastado do Inquérito e internado durante uma semana no Hospital Central do Exército (HCE), por "motivos de saúde". Não foi promovido a general, mas merece todo o reconhecimento da família militar brasileira por não ter traído a nação que um dia jurou defender, até com o risco da própria vida.

Ao Cel Prado os cumprimentos de todos os brasileiros, que também se emocionaram com o depoimento de um verdadeiro oficial do Exército brasileiro, que ainda hoje, já em idade bastante avançada, sente o corpo vibrar como nos tempos de cadete toda vez que ouve o Hino Nacional Brasileiro (F.M.).

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O atentado do Riocentro

Félix Maier

“Na noite de 30 de abril de 1981, durante um show de música popular para 20 mil jovens, uma bomba explode dentro de um automóvel que manobrava no estacionamento do Riocentro, na Barra da Tijuca. Morto no seu interior o Sargento Guilherme Pereira do Rosário; gravemente ferido abandona o veículo semidestruído o Capitão Wilson Luís Chaves Machado, ambos do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército sediado no Rio de Janeiro. Minutos depois outra bomba, mais poderosa, é lançada e explode próximo à casa de força do Riocentro. Como não atinge o seu alvo, não provoca a escuridão geral que certamente ocasionaria o pânico no recinto fechado do show, com conseqüências fáceis de se imaginar” (Major do Exército Dickson Melges Grael, in Aventura, Corrupção e Terrorismo – à sombra da impunidade, pg. 81 e 82).

Vinte e cinco minutos depois da explosão, o Capitão Machado foi levado ao hospital pela neta do Senador Tancredo Neves, Andréa Neves da Cunha, que chegava ao show com o noivo Sérgio Valle. O Capitão é levado ao Hospital Lourenço Jorge, depois ao Hospital Miguel Couto. O perito Humberto Guimarães (“Cauby”) diz aos repórteres que foram recolhidas outras 2 bombas no interior do Puma (placa OT-0279), uma delas destruída pela polícia.

Já no dia 1º de maio, à 1 hora da madrugada, um homem dizendo pertencer ao “Comando Delta” telefona para vários jornais, assumindo a autoria das explosões no Riocentro.

Às 2 horas da madrugada, o corpo do Sargento Rosário é levado para o IML e em seu corpo são encontradas peças de um mecanismo de relógio. Fotos mostrando o estado do Puma e o arrancamento das vísceras do Sargento comprovam que o mesmo manuseava uma bomba por ocasião da explosão, provavelmente em cima da perna direita.

Leia texto completo em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=36179&cat=Artigos&vinda=S