domingo, 4 de janeiro de 2009

Filme "A Sexta Raça", de Reginaldo Cipolatti

Félix Maier

18/9/2006

- Cipó? – costumavam brincar seus amigos na Marambaia.
- Late! – respondia de pronto Cipolatti, completando o trocadilho.

Reginaldo Orestes Lima Cipolatti era, antes de tudo, um utopista. Artista até a medula dos ossos, era um sujeito muito inteligente e bem-humorado. Um daqueles tipos que a gente nunca mais vai esquecer na vida. Foi com muita tristeza que vi as Parcas levarem Cipolatti no mês de maio passado, traído por seu coração em frangalhos.

Conheci o gaúcho Cipolatti no Campo de Provas da Marambaia (CPrM), organização militar para onde fui designado, em fevereiro de 1972, logo após fazer o curso de sargentos (especialidade “Fotocinegrafista”) na Escola de Comunicações, do Rio de Janeiro. Fui designado para trabalhar na Marambaia como fotógrafo, para fazer as fotografias (e, eventualmente, algumas filmagens) necessárias para a elaboração dos Retex (Relatórios Técnicos Experimentais) do Campo. Pela legislação brasileira, todas as armas e munições, de qualquer espécie e tamanho, para serem comercializadas no Brasil, mesmo as importadas, e aquelas destinadas à exportação, devem passar pelos testes do CPrM.

Ex-seminarista como eu (e também como Juscelino e Stalin...), Cipolatti, quando o conheci, era subtenente enfermeiro do CPrM. Mas não era apenas essa a sua atividade. Artista dos sete instrumentos, nos tempos vagos, ele escrevia novelas, alguns trabalhos sobre maçonaria, tinha um laboratório fotográfico em casa e dirigia um grupo teatral. E ainda tinha tempo para ler livros de psicologia e de teatro, e estudar o Esperanto. Haja fôlego! Cipolatti publicou alguns livros sobre maçonaria, que podem ser encomendados nos seguintes sites: Livraria Maçônica Paulo Fuchs http://www.livrariamaconica.com.br/Livros/Outros_Livros_M1.htm e
A Gazeta Maçônica http://www.agazetamaconica.com/ProductDetails.aspx?productID=102.

Soube pelo Cipolatti que ele era formado em Artes Dramáticas, da mesma turma que Lutero Luiz (o Fandango da minissérie O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, apresentada pela TV Globo) e Rogério Fróes (o Velho Gui de Prova de Amor, recente novela de sucesso da TV Record). Uma vez, ao saber que Fróes estava filmando na cidade cenográfica da Globo perto da Marambaia, Cipolatti me levou para me apresentar ao ator gaúcho.

Certa vez, Cipolatti me pediu para que eu fizesse umas fotografias de uma peça teatral que ele estava apresentando no Clube dos Subtenentes da Vila Militar, à noite, num sábado. Não me lembro do nome da peça, porém o que me chamou a atenção foi ver, com os próprios olhos, como o Cipolatti conseguia dirigir o elenco, em que havia de tudo um pouco, como “bichas” e meninas “levadas”, uma algazarra total. Era uma zona o ensaio e a movimentação daquela turma, mas quando a peça iniciava, tudo fluía tão bem que a gente nem acreditava. Fiz algumas fotos da peça e, entre um ato e outro, travei conversa com uma bela morena, de origem baiana, com quem tive um breve namoro. Ah! Até hoje não consegui entender “o que é que a baiana tem”, inesquecível!

Uma vez por mês, havia um almoço “melhorado”, tanto para os oficiais, quanto para os subtenentes e sargentos. Era para lembrar os aniversariantes do mês, que recebiam presentes, normalmente uma pasta 007. Nessas ocasiões, Cipolatti declamava poesias, recitava trechos teatrais, era um verdadeiro artista que não se envergonhava de deitar no chão do refeitório para valorizar a cena. Cipolatti era "o cara".

Cipolatti tinha histórias incríveis para contar. Eram tão formidáveis que ninguém se importava se os “causos” passavam ou não do limiar da ficção.

Leia texto completo em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=1045&cat=Roteiro_de_Filme_ou_Novela

Conheça a obra de Reginaldo Cipolatti em http://www.estantevirtual.com.br/buscaporautor/Orestes%20Lima%20Cipolatti e http://eo.wikipedia.org/wiki/Reginaldo_Cipolatti