terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Lula e Gandhi

Félix Maier

18/10/2006

Ultimamente, o presidente-candidato anda se comparando com algumas figuras históricas. Comparou-se com Jesus Cristo e com Tiradentes. Logo apareceu uma piadinha na internet: “a gente o crucifica ou o enforca”? Lula também se comparou com Gandhi, o exótico pacifista que dormia com moças nuas para se aquecer.

De fato, Lula tem algumas semelhanças com Gandhi. Enquanto Gandhi se apresentava como pobre, porém tinha uma entourage muito dispendiosa para lhe dar apoio, Lula, o “pai dos pobres”, tornou-se milionário durante o período em que está à frente da presidência da República.

“Gandhi não foi um libertador, mas um político exótico, cujo florescimento só foi possível graças à proteção proporcionada pelo liberalismo britânico. (...) Conhecemos mais sobre as intimidades de sua vida do que a de qualquer outro ser humano na história. Ele vivia em público no seu ahsram ou acampamento religioso, atendido por um numeroso círculo de mulheres devotas, cuja maioria estava sempre pronta a descrever sua forma de viver nos mínimos detalhes. Em meados dos anos 70, já existiam mais de quatrocentas biografias dele, e a edição inglesa de seus pronunciamentos, compilada por cinqüenta pesquisadores e trinta funcionários do Ministério da Informação indiano – que criou um departamento especial com esse propósito – preencheria oitenta volumes com uma média de 550 páginas cada.

Todas as manhãs, ao se levantar, a primeira pergunta de Gandhi às mulheres que o serviam era: ‘Os seus intestinos funcionaram bem essa manhã, irmãs?’ Um dos seus livros favoritos era Constipation and our Civilization, que relia constantemente. Estava convencido de que o mal nascia da sujeira e da alimentação inadequada. Apesar de comer com grande apetite – ‘Era dos homens de maior apetite dentre os que conheci’, disse um discípulo – sua alimentação era cuidadosamente escolhida e preparada. Bebia uma mistura de bicarbonato de sódio, mel e suco de limão, e mastigava grande quantidade de alho esmagado disposto em tigelas ao lado dos pratos vegetarianos (não tinha olfato – um atributo útil na Índia). Ao atingir a meia-idade, Gandhi se voltou contra a mulher e os filhos, isto é, voltou-se, na verdade, contra o próprio sexo. Achava as mulheres melhores que os homens porque supunha que não tinham prazer com o sexo. Realizou experiências de sua chamada Brahmacharya dormindo com moças nuas apenas para se aquecer. Sua única ejaculação seminal na passagem da meia-idade para a velhice foi durante o sono, em 1936, quando tinha 66 anos, fato que o perturbou bastante.


(...) Na verdade, o próprio ashram de Gandhi, com seus gostos ‘simples’, porém muito dispendiosos, e inumeráveis ‘secretários’ e empregadas, só se sustentava com pesados subsídios estipendiados por três príncipes mercadores. Assim observou uma pessoa do seu círculo: ‘Custa muito dinheiro manter Gandhi vivendo na pobreza’ ” (Paul Johnson, in Tempos Modernos, pg. 397-398) (*).

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