sábado, 3 de janeiro de 2009

Jesus no Egito

Brasília, DF, 30 de agosto de 1999.

Prezado Editor de O Globo

Sobre o artigo “Jesus no Egito”, escrito pela jornalista Leneide Duarte e publicado nesse jornal em 19 Fev 99, gostaria de emitir algumas considerações.

Há, logo no início daquele artigo, uma prova cabal do profundo desconhecimento da jornalista acerca do assunto – para não dizer ignorância mesmo – quando afirma que “o espantoso é terem os egípcios demorado dois mil anos para divulgar os caminhos de Jesus no Egito”.

Ora, não é só agora que os coptas estão imprimindo às pressas um mapa da passagem da Sagrada Família pelo Egito, para comemorar o jubileu dos 2000 anos do cristianismo. Esse mapa já existe há séculos, baseado na trabalho incansável de inúmeros estudiosos. O que se pode duvidar é da exatidão de alguns detalhes aqui ou acolá, porém o itinerário tem uma lógica bastante plausível, ainda que os fugitivos de então não tivesse um fotógrafo e uma jornalista de O Globo para registrar seus passos.

Na Idade Média, a peregrinação à Terra Santa incluía, muitas vezes, a passagem pelos sítios sagrados da cristandade que se encontram no atual Cairo Velho (antiga cidade de Babilônia, construída pelos persas quando conquistaram o Egito), onde havia, na época de Jesus, uma comunidade judaica. A Sagrada Família estava, pois, “em casa”, junto de sua gente, e abrigou-se por algum tempo no local onde hoje se encontra a cripta da Igreja de São Sérgio, cuja construção foi iniciada há 1500 anos. Na mesma região se encontram uma sinagoga, a Igreja de São Jorge (onde há objetos de suplício, com que os romanos torturaram os primeiros cristãos no Egito), a Igreja Suspendida (porque foi construída sobre bastiões de uma antiga fortaleza romana), o Museu Copta, muito rico em objetos históricos, e uma mesquita que é a quarta mais antiga do mundo.

Leia texto completo em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=37233&cat=Artigos&vinda=S

Obs.: O texto foi escrito e enviado ao jornal O Globo em 1999, porém só foi postado em Usina de Letras no dia 27/05/2005 (F. Maier).