terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Do Quadrado Mágico ao Triângulo das Bermudas

Félix Maier

18/07/2006

Como o Brasil tem 180 milhões de técnicos de futebol, acho que tenho todo o direito de também dar o meu pitaco a respeito da última Copa do Mundo.

A seleção brasileira de futebol foi à Copa como a grande favorita para levantar mais um caneco, pois estava cheia de craques que jogam no milionário futebol europeu, como Ronaldinho Gaúcho, o “melhor do mundo”, Ronaldo, Kaká, Dida, Roberto Carlos, Robinho, Adriano, Zé Roberto. Porém, uma vez mais foi provado que um grupo de estrelas não faz necessariamente um time vencedor, no máximo, uma constelação no firmamento. Prova cabal disso são os “galácticos” do Real Madri, Ronaldo, Zidane, Beckham e companhia, que nos últimos anos perderam títulos seguidamente para o endiabrado Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona.

Muitos “técnicos” brasileiros, entre jornalistas, artistas, comentaristas, futebolistas e palpiteiros em geral, afirmam que o único culpado foi Carlos Alberto Parreira. Outros, que o culpado foi Galvão Bueno, até foi vista na Alemanha uma faixa com os dizeres “Cala a boca, Galvão!”. Outros, que a culpa foi a escolha de um time de ricos mercenários, sem mais nenhum vínculo afetivo com nossa Pátria amada, salve, salve! - as “chuteiras sem Pátria”, como definiu Arnaldo Jabor.

Mas, qual foi o real motivo de nossa seleção ter cometido tamanho fiasco, que chegou à Alemanha invejada e idolatrada por todo mundo com seu “quadrado mágico”, mas que, por uma razão desconhecida dos irados deuses do futebol, acabou sendo tragada pelo “Triângulo das Bermudas”? Salto alto do “já ganhou”?

Parreira não foi o único culpado pelo desastre de nossa seleção. Todos os jogadores, à exceção de Dida, Lúcio, Juan, Cicinho e Robinho, tiveram grande parcela de culpa, por falta de brio, de vergonha na cara. Uma seleção perder uma partida de futebol para outra faz parte do jogo, alguém tem que ganhar, não existe empate, e nem sempre vence o melhor. Porém, perder do modo como o Brasil perdeu para a França foi a mais completa sem-vergonhice que jamais se viu na seleção canarinho, em todos os tempos. Até hoje, a seleção brasileira de 1982, comandada pelo saudoso Telê Santana, é cantada em verso e prosa, apesar de ter sido vencida pelos italianos num dia em que o jogador Paulo Rossi estava possuído pelo diabo (e Toninho Cerezo dando bobeira na defesa). A seleção de 2006, ao contrário da de 1982, somente poderá ser cantada por versos de palavrões.

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