terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Caso Eloá: A incrível incompetência da PM de São Paulo

Félix Maier

19/10/2008

A última semana foi palco de duas tragédias em São Paulo. Não contentes com o seqüestro que se desenrolava em Santo André, em que um rapaz desequilibrado mantinha duas moças reféns, a Polícia Civil entrou em choque contra a Polícia Militar. O final de semana só podia mesmo ter acabado em tragédia.

O governador José Serra acusou grupos sindicais ligados ao PT, como a CUT e a Força Sindical, pela arruaça dos policiais. Afinal, existe o embate político pela prefeitura de São Paulo, em segundo turno. Remember caso PCC, orquestrado por "forças ocultas" para derrotar Alckmin em 2006.

Lula, vociferante como nos velhos tempos de sindicalista, exigiu retratação de Serra, ao mesmo tempo em que defendia, no palanque, sua candidata à prefeitura de São Paulo, Martaxa "Relaxa e Goza" Suplício, dizendo que foi um insulto dizer que ela tem preconceito contra homossexuais - uma indireta mesquinha à insinuação da campanha sórdida feita contra Kassab, se "ele era casado e tinha filhos". Logo quem para falar em família e insinuar homossexualidade do candidato oponente, a Martaxa velha de guerra, defensora dos gays, aquela que trouxe o amante de Paris e o levou para a mansão onde ainda morava com o então marido Eduardo Suplicy. Martaxa tem rabo de palha e fica riscando fósforo por aí. O resultado não poderia ter sido outro: ficou com o traseiro chamuscado...

Enquanto os policiais se digladiavam nas ruas, o seqüestro sem fim ia de mal a pior. Pelo fim trágico, ficou comprovado que a polícia de São Paulo não tinha aprendido nada com aquele seqüestro ocorrido no Rio de Janeiro em 2000, no ônibus da Linha 174, em que deveria prevalecer a máxima de "bandido bom é bandido morto". Naquele episódio, atiradores de elite tiveram umas 500 oportunidades de ter explodido os miolos do bandido, quando enfiava a cabeça fora do ônibus, ou de frente para as câmaras, na lateral do ônibus, mas preferiram esperar, esperar, esperar, até que a tragédia se consumasse. Na saída do ônibus, um policial a 50 cm não conseguiu acertar o bandido com um tiro e este acabou matando a refém. Depois de ver a besteira feita, os policiais, dentro do camburão, esganaram até a morte o bandido, ficando a população carioca em dúvida sobre quem foram os piores bandidos, se o que estava dentro do ônibus de arma na mão, se os que estavam fora também de arma na mão. O episódio virou filme, Última Parada - 174, de Bruno Barreto, escolhido recentemente para representar o Brasil para a disputa por uma das vagas ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Por que a polícia de São Paulo não estourou os miolos de Lindenberg Alves quando teve oportunidade para isso, quando este espiava pela janela, dando tiros a esmo? O coronel comandante da operação disse que as negociações feitas com o bandido tinham como objetivo preservar a vida das três pessoas, não só das duas reféns. Deixou escapar que grupos dos direitos humanos dos bandidos, depois, poderiam questionar tal atitude. Deu no que deu.

Pior ainda foi a polícia deixar novamente entrar a colega de Eloá no apartamento de onde havia conseguido se evadir. Nunca na história deste país se viu uma loucura deste tamanho. O que o ECA diz sobre isso? A meu ver, a polícia deveria ter mandado entrar uma policial muito semelhante à menina que retornou, em trajes civis, com câmaras e armas escondidas no corpo, para monitoração à polícia, para agir de pronto contra o seqüestrador, matando-o de imediato. Por que esta idéia tão simples não ocorreu na cabeça oca do comandante da operação? Seria a "Síndrome do Carandiru", que deixa todos os policiais apalermados, sem ação, com medo de matar um bandido perigoso?

Só podia acabar no que deu: o bandido continua vivo, daqui uns 10 anos, se tanto, já estará solto, enquanto que Eloá Pimentel teve morte cerebral e seus órgãos doados pela família. Enquanto isso, sua amiga Nayara Rodrigues teve que fazer uma cirurgia no rosto para reconstrução da face e extração de uma bala alojada perto de um dente, além de carregar este trauma pelo resto da vida.

Uma coisa os policiais trapalhões de São Paulo podem se orgulhar: existe matéria para outro filme como o Última Parada - 174. Os cineastas brasileiros têm uma opção preferencial para produzir filmes sobre a bandidagem, como O Bandido da Luz Vermelha, Lampião, Lúcio Flávio, Lamarca, O que é isso Companheiro?, Pixote, Cidade de Deus, Olga etc. Infelizmente, agora existe outro enredo macabro para mais uma indicação ao Oscar. Que tal o título Cem horas sem ação - a PM se rende ao bandido?

Veja fotos dos envolvidos em http://duard.com.br/blog/imagens-do-caso-eloa-nayara-e-lindembergue/