terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pra não dizer que não pedi perdão...

Félix Maier

12/09/2000

O ano 2000 era para ser um ano singular na história da cristandade. Era para ser a comemoração festiva do nascimento de Jesus, Nosso Salvador, ocorrido há 2000 anos. O jubileu maior, o JC 2000. Deveria ser comemorada toda a história da civilização ocidental, moldada, em última análise, nos ensinamentos do Mestre. Obviamente, há muitos pontos obscuros nessa longa marcha da Igreja nestes 2000 anos, de discriminação e violência, que todo cristão preferiria que nunca tivesse ocorrido. Mas, em sua totalidade, há aspectos dignos de se comemorar, não o ano todo, mas uma década inteira.

Entretanto, os pensadores anticlericais e ateus, eternos inimigos da cristandade, não iriam deixar passar em branco essa oportunidade de, junto com as comemorações cristãs, lembrar apenas os aspectos negativos, para bater cada vez mais forte na Igreja. Alicerçados nas idéias de um Humberto Eco ou de um Saramago, preferirão lembrar as comemorações cristãs como uma senha para açoitar uma vez mais a já tão sofrida Igreja de Cristo – especialmente a Católica.

Assim, não é apenas uma simples coincidência neste ano 2000 termos nas livrarias títulos como “O Papa de Hitler – a história secreta de Pio XII”, de John Cornwell, e "História das Inquisições", de Francisco Bethencourt. Não foi mera coincidência a Rede Globo ter colocado no ar o seriado “A Muralha”, panfleto com fundo nitidamente anticatólico. Nestes novos tempos, em que se fala tanto em preconceito, em discriminação, você poderá ser processado se disser uma piadinha sobre um homossexual, mas católico algum, por exemplo, tem o direito de emitir sua própria opinião contra o filme “Dogma”, – um ato covarde e um preconceito grotesco que fere a religiosidade de milhões de cristãos, não só de católicos. Se você reclamar, logo irão taxá-lo de conservador, de autoritário, de que você esteja querendo impor a censura na sociedade. Essa raça nefasta, que proclama que “é proibido proibir”, que tudo nos proíbe, quer nos proibir também de professar uma orientação religiosa e depois vêm, com cinismo, nos acusar de censores quando exigimos apenas um mínimo de respeito pela fé que professamos.

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