terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Paulo Coelho na Loucademia

Félix Maier

30/07/2002

Paulo Coelho conseguiu mais uma façanha: depois de tirar da cartola quase 50 milhões de coelhos, digo, livros, vendidos em dezenas de países, passou a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. “Se antes esse sonho parecia uma heresia, agora é uma realidade” – falou o mago das letras (Veja, 31 Jul 2002).

Há muita gente que contesta a obra de PC, por achar que só escreve coisas viscosas, etéreas, rebatizadas de “esotéricas” nesses tempos politicamente pastosos da New Age. Nesse sentido, os críticos têm razão, o consumidor padrão de PC é o mesmo que sofregamente engole Harry Potter aos milhões e acredita em duendes, como Xuxa. Os temas de PC não fogem à onda de bruxaria e mistério que impregna grande quantidade das obras atuais, uma espécie de nostalgia e volta aos tempos românticos, heróicos e misteriosos do Rei Artur e seus cavaleiros. Há pouco tempo, tínhamos apenas livros de ficção e não-ficção. Hoje, foi acrescentada uma terceira estante nas livrarias, a estante esotérica, que atende milhões de pretendentes a Merlin dos dias que correm.

Muitos confundem esoterismo com misticismo. O misticismo estava bastante em voga durante a Idade Média, quando tínhamos, p. ex., um Francisco de Assis, verdadeiro ser místico, que sofreu as dores do mundo à semelhança de Jesus Cristo, com chagas sangrando dos pés, das mãos e até do peito, exatamente como o Mestre. Outro ser místico, de nossos tempos, foi Chico Xavier, transfigurado para o outro mundo recentemente, que em sua vida só praticou o bem, de modo que até o seu corpo emitia uma intensa luz. O propalado misticismo, hoje, não passa de um caldo de cultura retirado do liqüidificador da globalização, com paladar tutti-frutti, de modo a atender a todos os gostos, desde o oriental, o ocidental e até o islâmico. Ou seja, agrada a todos. Ou quase todos.


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