terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Olavo "Denisovich" Carvalho

Félix Maier

17/03/2002

“Dize-me o que pensas de Ivan Denisovich e eu te direi quem és.”

Essa frase se tornou corriqueira na antiga União Soviética, depois que Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, primeiro romance de Alexandr Solzhenitsyn, ganhou a simpatia do grande público. Nesse livro, Solzhenitsyn retratou o Estado soviético como um Estado policial, a União Soviética como uma prisão ou campo de concentração. Realidade essa exposta com conhecimento de causa, pois Solzhenitsyn sofrera na própria pele as torturas de um campo de trabalhos forçados na Sibéria, de onde fora libertado após a morte de Stalin e a anistia geral subseqüente. “Ivan”, na verdade, se tornaria apenas um preâmbulo das atrocidades soviéticas que seriam denunciadas, mais tarde, no portentoso livro Arquipélago Gulag, que lhe rendeu um Nobel de Literatura em 1970 – prêmio impedido pela cúpula soviética de receber em Estocolmo, como já ocorrera com Boris Pasternak e seu premiado Doutor Jivago, em 1958.

Se “Ivan” agradava às massas, o mesmo não se podia dizer das autoridades soviéticas, que viam no livro um ato de traição à Pátria, por entregar de mão beijada as armas ao inimigo. Daí o mote “dize-me o que pensas de Ivan Denisovich e eu te direi quem és”. Se falas mal de “Ivan”, és um patriota digno de viver na União Soviética. Se falas bem de “Ivan”, mereces toda a reprovação do Partido e teu destino será os campos gelados da Sibéria.

Leia texto completo em http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0132.htm