terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Limpeza demográfica

Félix Maier

8/2/2001

Nos últimos anos, tornou-se comum o uso da expressão “limpeza étnica” para designar a perseguição contra muçulmanos promovida pelo então Presidente Milosevic, da Iugoslávia, especialmente contra os muçulmanos da Bósnia-Herzegovina e, mais recentemente, do Kosovo.

Na verdade, não foi propriamente uma perseguição do tipo nazista contra um determinado povo, contra uma determinada etnia. Milosevic, após a guerra fria, pretendia manter unida toda a antiga Iugoslávia, composta por seis nações e duas províncias, federação reunida e mantida a mão de ferro pelo regime comunista do Marechal Tito, que se manteve independente de Moscou com seu peculiar sistema de “co-gestão” instituído nas unidades produtoras do país.

Quando a União Soviética se desintegrou, acarretando inicialmente a independência dos países bálticos, em seguida a da Ucrânia e de outros estados da antiga União, alguns Estados federados da Iugoslávia seguiram a mesma tendência desse efeito dominó, começando pela Eslovênia, depois a Croácia, e prosseguindo com a Bósnia-Herzegovina e, mais recentemente, a província do Kosovo. Como na Bósnia e no Kosovo as populações são de maioria muçulmana, e como a Iugoslávia empreendeu campanhas contra estes países, perseguindo e matando a população que lutava pela independência, como ocorre em qualquer guerra desse tipo, começou-se a falar em “limpeza étnica”.

Seria então também uma “limpeza étnica”, se o Governo brasileiro empreendesse, por exemplo, uma campanha militar contra um hipotético Rio Grande do Sul revolucionário, que lutasse pela sua independência, somente pelo fato de a maior parte de sua população ser de origem italiana e alemã?

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