terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fundamentalismo islâmico

Félix Maier

29/08/2003

1. A RELIGIÃO MUÇULMANA

Criação e expansão do islã

É bem significativa a palavra árabe islam (islã). Ela é derivada de aslama e significa "submeter-se", "entregar-se". No caso, entregar-se a Alá. Muslim (muçulmano) tem o mesmo sentido. Significa "aquele que se submeteu a Alá".

O profeta Muhammad (Maomé) nasceu por volta de 570 d.C. e era da tribo dos coraixitas, que guarneciam a Caaba, em Meca, na atual Arábia Saudita. Maomé entrou para o serviço da rica Cadidja, com quem se casou quando esta ficou viúva. Embora iletrado, como se pode comprovar no verso 49 do capítulo 29 (Al-Ankabut) do Corão, essa nova situação permitiu a Maomé fazer algumas viagens e conhecer melhor o povo árabe e outros povos vizinhos.

O Corão, segundo a tradição islâmica, é o conteúdo da revelação verbal feita a Maomé pelo Arcanjo Gabriel, durante um período de aproximadamente 20 anos em Meca (610-622) e Medina (622-632). A mensagem era: fé num único Deus, Allah (Alá), crença na ressurreição dos mortos e na felicidade eterna. Os primeiros versos (aiat) revelados foram os de 2 a 6 da sura (surata ou capítulo) 96 (Al- Alaq): "Recitai em nome de vosso Senhor, Que criou todas as coisas. Ele criou o homem de um coágulo de sangue. Recitai, porque vosso Senhor é o Mais Be-néfico, é Quem tem ensinado através da pena (escrita), ensinado ao homem aquilo que ele não conhecia". O último capítulo revelado no Corão foi o de nº 110 (Al-Nasr), que contém 4 versos. Ao todo, o Corão tem 114 capítulos e 6.216 versículos. Todos os capítulos principiam com as palavras: "Em nome de Alá, o Misericordioso e Compassivo".

Primitivamente, os textos corânicos eram escritos em madeira, couro, peças de cerâmica, ossos, pedras brancas, pergaminhos e até papiros. Esse trabalho era feito pelos discípulos de Maomé, que transcreviam as recitações do Profeta, já que o mesmo era iletrado. Só mais tarde a Mushaf foi desenvolvida, ou seja, os textos corânicos foram acondicionados em forma de livro, a partir do terceiro califa, Otomã.

A pregação das revelações divinas recebidas através do Arcanjo Gabriel encontrou oposição violenta em Meca e a 16 de julho de 622 Maomé deixa a cidade, com parentes e amigos, e parte para Yathrib, que a partir de então passa a se chamar Al-Madinat Al-Nabi (a Cidade do Profeta), ou apenas Medina. Aquela data, a Hijra (Hégira ou Emigração), marca o ponto de partida da era islâmica e é o ano 1 muçulmano.

Para assegurar a vida material de sua comunidade, Maomé permitiu que seus membros atacassem e pilhassem caravanas no deserto, principalmente de judeus. Há até uma data festiva muçulmana que lembra aquela época de imposição da incipiente religião que brotava.


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