terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Drummond: Vá ser gaúcho na vida...

Félix Maier

1/11/2002

No dia do centenário do nascimento de Carlos Drummond de Andrade, 31 de outubro de 2002, declamaram-se poesias do poeta de Itabira por todos os cantos do Brasil. Foi até colocada uma estátua de bronze do “poeta maior” no Calçadão de Copacabana, que já apareceu pichada na manhã de hoje, Dia de Todos os Santos.

Em Bagé, RS, um dos declamadores leu em alto e bom som:

- Vá, Carlos, ser gaúcho na vida...

É nisso que dá tirando o ensino do Francês de nossas escolas. A palavra gauche - qualquer cara com 40 anos que fez o antigo ginásio sabe disso – é pronunciada “gôche”. Significa “esquerda” (droite é direita), mas também pode significar “ridículo”, “mal jeitoso”, “perturbado”. Eu tenho a impressão que Drummond queria dizer “esquisitão”, que devia ser mais ou menos como ele se sentia na cidade grande, no eterno impasse entre a província e a metrópole.

A piadinha acima (concordo, é um tanto mixuruca...) eu fiz depois que ouvi, ontem, no supermercado Pão de Açúcar da 508/509 Norte, Brasília, um locutor de rádio (CBN?) declamar a poesia de Drummond, pronunciando “gáuche” em vez de “gôche”.

Enfim, se tínhamos um candidato que falava em “menas laranjas”, não há o que reclamar...