terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Doutrina Bush: Democracia de Cruzeiro?


Cruise missile democracy - a democracia dos mísseis de cruzeiro Tomakawk

Félix Maier

24/04/2003

“Há um tempo para construir e um tempo para destruir”, afirmou José Saramago em Memorial do Convento. Para o presidente dos EUA, George W. Bush, é tempo de construir a democracia no mundo, e é tempo de destruir toda forma de terrorismo existente sobre a face da Terra.

Ninguém, em sã consciência, é contra a democracia e a favor do terrorismo. A não ser os terroristas, como Osama bin Laden, e os ditadores, como Fidel Castro – antigo ídolo de Saramago. O problema é como conseguir que todos os países sejam democráticos e que o terrorismo seja extinto no mundo. E entender por que os EUA, com sua “Doutrina Bush”, seriam a nação escolhida por Deus para realizar obra de tal envergadura.

Uma pergunta hoje é freqüente: estaria somente o Iraque na mira do armagedon americano, ou também outras nações comunototalitaristas, como a Coréia do Norte, ou teototalitaristas, como o Irã, que também contribuem para a desestabilização da paz no mundo? Todos sabem o motivo por que os EUA não ameaçam o governo comunista da China, que trucida o Tibete e vende armas para o grupo al-Qaeda: ela possui um formidável estoque de bombas nucleares. Porém, Síria, Irã e Sudão poderiam ser os próximos alvos, já que tais nações foram denominadas por Bush de “eixo do mal”, Estados que seriam propagadores do terrorismo islâmico internacional.

Ultimamente, com a guerra no Iraque, tem havido muitas manifestações a favor da paz no mundo, as tais peaceniks que relembram os tempos da Guerra do Vietnã. Porém, há um paradoxo e uma ironia nesses movimentos “pacifistas”. Ninguém critica muitas das ações da ONU, ultimamente desmoralizada também por eleger a Líbia para a Comissão de Direitos Humanos, um país sabidamente promotor do terrorismo sob a ditadura Kadhaffi, cúmplice do atentado terrorista que derrubou um jato da Pan Am (Boeing 747) na Escócia, em 21 de dezembro de 1988, quando morreram 259 pessoas a bordo e 11 em terra. Por exemplo, o Conselho de Segurança da ONU, após a Guerra do Golfo, criou uma zona de exclusão aérea no norte e no sul do Iraque, onde o antigo governo de Saddam Hussein não tinha autonomia, por conta de uma alegada defesa dos curdos, no norte, e dos xiitas, no sul. Além disso, a ONU aprovou um draconiano embargo econômico contra o Iraque, que já dura 13 anos, só comparável ao que sofreu a Alemanha após a I Guerra Mundial, com o Tratado de Versalhes. Somente uma parte da capacidade produtiva de petróleo do país, que tem a segunda maior reserva do planeta, foi autorizada para a venda, em troca de comida e remédios. Com isso, o Iraque, anteriormente um país culto e rico, retrocedeu aos tempos medievais, com a pobreza tomando conta da maior parte da sociedade, enquanto Saddam Hussein e seus filhos construíam luxuosos palácios. O UNICEF calcula que, devido ao embargo, morreram em torno de 500.000 crianças no país, por falta de alimentos e medicamentos. Ou seja, a ONU critica a ONU por um crime contra a humanidade que ela mesma cometeu e os peaceniks apenas lembram em condenar os mortos e mutilados ocasionados pelos bombardeios da coalizão anglo-americana.

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