terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Bantustões brasileiros

Félix Maier

2/07/2000

A África do Sul, durante os governos de Hendrik Vermwoerd (1958-66) e de B.J. Voster (1966-78), criou dez nações tribais independentes, instaladas em área correspondente a 13% do país, onde os negros foram confinados como bichos. Esses enclaves, chamados de bantustões, tinham por finalidade separar os negros dos brancos - a faceta mais hedionda do Apartheid. Assim, muito justamente, a maioria dos países passou a hostilizar o governo racista da África do Sul, com boicotes de toda ordem, tornando aquela nação um pária no meio da comunidade internacional.

Com a virada das páginas do tempo após a atenuação da guerra fria, advinda do colapso da antiga União Soviética, e com a ascensão de um novo poder mundial identificado como "sociedade civil" (1), observa-se que o antigo Apartheid da África do Sul, rechaçado anteriormente por muitos, extinto de fato durante o governo de Nélson Mandela, está se implantando no Brasil com grande êxito e sob os aplausos dos mesmos que anteriormente se posicionavam contra aquele tipo de discriminação.

Trata-se das demarcações das terras indígenas no Brasil. Um enclave enorme foi criado em nosso país com a demarcação da Área Indígena Yanomami, iniciada pelo então presidente Fernando Collor, sob pressão dos países ricos e inúmeras ONG que proliferam pelo mundo como geração espontânea. Além de colocar em risco nossa integridade terrritorial, criou-se uma "nação indígena" do tamanho de Portugal para enclausurar uma farsa, já que os yanomamis foram uma esperta criação das ONG, como denunciou um coronel do Exército Brasileiro (2) que serviu naquela região. Não se sabe ao certo se essas organizações estão realmente interessadas na preservação da cultura indígena ou se estão a serviço dos países ricos, tentando evitar que a região amazônica se desenvolva, para, assim, ficar mais à vontade para praticar a rapinagem de sua riquíssima biodiversidade e dos metais raros encontrados em seu subsolo. Um mapa elaborado pelo IBGE (3) mostra a Amazônia vestida com pele de onça, com manchas espalhadas em todo o seu território, enclaves que tentam confinar os índios em seu estado primitivo, enfim, que tentam fossilizá-los em bantustões, nos mesmos terríveis bantustões da África do Sul anteriormente condenados por toda a comunidade internacional.

Leia texto completo em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=253&cat=Ensaios&vinda=S