terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Allende e Pinochet: O mito e a realidade

Félix Maier

5/2/2002

O livro do colombiano Gabriel Garcia Márquez, “Notícias de um Seqüestro”, era um dos preferidos do chileno Maurício Hernández Norambuena. Condenado à prisão perpétua pelo seqüestro seguido de assassinato do Senador chileno Jaime Guzmán, Maurício pediu para sua “mami” um exemplar de “Notícias”, enquanto arejava a cabeça e se preparava para a espetacular fuga de helicóptero do presídio de segurança máxima de Santiago, com mais 3 comparsas, em 1996, operação essa batizada no Chile de “Fuga do Século”.

Norambuena é o “second-in-command” do grupo terrorista chileno Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR), a “filha natural” do Partido Comunista do Chile. Após ingressar na FPMR, Norambuena recebeu treinamento em Cuba. É acusado de ter sido um dos atiradores que participaram do frustrado atentado ao general Pinochet (1986), quando morreram 5 guarda-costas, e de ter planejado o assassinato de vários agentes de segurança chilenos, entre os quais Roberto Fuentes Morrison. Preso pela polícia brasileira com mais 5 comparsas chilenos, Norambuena é o chefe dos seqüestradores do publicitário Washington Olivetto, feito cativo do grupo no dia 11 de dezembro de 2001 e libertado no dia 3 de fevereiro, 53 dias depois.

A FPMR é também suspeita de ter realizado os seqüestros do banqueiro Beltran Martinez, em 1986, e do publicitário Luiz Sales, em 1989. Alguns seqüestros no Brasil, nos últimos anos, envolveram:

- Luiz Salles, publicitário, preso no dia 31 de julho de 1989. O seqüestrador que o rendeu falava espanhol. Salles ficou 65 dias no cativeiro e solto após ser pago US$ 2,5 milhões. Ninguém foi preso.

- Abílio Diniz, empresário, preso no dia 11 de dezembro de 1989, foi solto 7 dias depois, sem pagar resgate. O crime foi realizado por integrantes do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), do Chile, em apoio à causa das Forças Populares de Libertação (FPL), de El Salvador (que também participaram da operação), para arrecadação de US$ 30 milhões que seriam utilizados para financiar a ofensiva final dos guerrilheiros salvadorenhos contra o Governo. Entre os 10 foragidos do caso Diniz, havia membros da FPMR. Os seqüestradores presos foram 5 chilenos, 2 canadenses, 2 argentinos e 1 brasileiro. Condenados a penas pesadas, todos os marginais hoje se encontram soltos, depois de um grande “lobby” realizado pela esquerda para a soltura dos marginais. O Senador Eduardo Suplicy, do PT, fez uma visita de cortesia aos “pobrezinhos” na prisão, o mesmo ocorrendo com o então Secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori – com as bênçãos de Dom Paulo Evaristo Arns, sempre pronto para rezar por terroristas.

- Geraldo Alonso Filho, publicitário, preso no dia 8 de dezembro de 1992, foi solto 36 dias após, depois de ser pago resgate de US$ 3 milhões. Ninguém foi preso.

- Washington Olivetto, publicitário, preso no dia 11 de dezembro de 2001, libertado após 53 dias, sem pagar resgate. Seis pessoas foram presas, incluindo um líder da FPMR, Maurício Hernández Norambuena.

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